13 de maio de 1888, o ano em que a Lei Áurea foi sancionada pela princesa Isabel foi perdendo destaque com o tempo pelo protagonismo negro que começou a ganhar força no país. O símbolo da resistência negra não teria sentido em ser representado por uma pessoa branca, ainda mais pela data ser marcada por uma abolição da escravatura que, em sua totalidade, foi incompleta, passando a ter o dia 20 de novembro como Dia da Consciência Negra, marcado pela morte de Zumbi dos Palmares, o símbolo da luta dos escravos no Brasil.
Os reflexos da Lei Áurea, que apesar de importante e necessária, são as construções sociais desenvolvidas em volta da abolição que libertou, mas não deu assistência aos escravos, concretizando uma série de problemas estruturais na sociedade brasileira, sobretudo na condição de vida dos negros desde a libertação até os dias de hoje. De acordo com um levantamento realizado em 2019, a população negra compõe 75% dos mais pobres no Brasil, quadro que não teve tanta mudança com o passar do tempo.
Apesar da problemática enraizada há mais de um centenário, que teve relações com a repressão imposta aos ex-escravos após a abolição, movimentos abolicionistas e outras figuras negras importantes como Zumbi dos Palmares deram força ao movimento composto por homens e mulheres que lutaram por liberdade. O dia 13 de maio, hoje, é considerado o Dia da Denúncia Contra o Racismo, um dos principais problemas enfrentados pelos afrodescendentes no Brasil, ainda que ocorra de forma velada. As lutas contra as diferenças raciais e de emponderamento negro se tornam cada vez mais realidade no Brasil, pela valorização da cultura, cor, e sobretudo dignidade.