Governo Trump indica o PCC como a “Maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental”

O governo dos Estados Unidos da América (EUA) considera a facção brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental”, segundo um documento publicado, na quarta-feira (1º), pelo Departamento do Tesouro americano.

“O PCC é, hoje, a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente”, diz o comunicado.

No documento, o Tesouro americano informa que impôs sanções contra dois brasileiros e três empresas brasileiras por ligação com um esquema de lavagem de dinheiro do PCC – na primeira rodada de sanções desde maio, quando a facção foi classificada como organização terrorista pelas autoridades americanas.

A citação do termo “Hemisfério Ocidental” no comunicado é mais um indicativo de que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, está focado na sua nova estratégia para a América Latina.

Ainda em janeiro, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou a nova “Estratégia Nacional de Defesa dos EUA”, com o objetivo de assegurar plena dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”.

No documento, os Estados Unidos afirmam que estão dispostos a colaborar com países do continente americano. Por outro lado, alertam que podem optar por ações militares onde e quando julgarem que os interesses norte-americanos não estão sendo atendidos.

Segundo o documento, os Estados Unidos buscarão “paz por meio da força”. O lema vem sendo usado pelo governo Trump desde o início do segundo mandato do republicano. O combate ao chamado “narcoterrorismo” tem papel central nessa estratégia.

 

PCC e CV no radar

Em maio deste ano, quando classificou PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os EUA justificaram a decisão alegando que as duas facções estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e disseram que os grupos “comandam milhares de integrantes” e são responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.

Na época, o secretário Marco Rubio afirmou que a atuação das facções ultrapassava as fronteiras brasileiras e alcançava outros países da região e os Estados Unidos: “O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”.

O governo americano disse ainda que a medida reforçava o compromisso da administração Trump de “desmantelar cartéis e organizações criminosas” na região.

O governo brasileiro atuava para tentar impedir que os Estados Unidos adotassem a medida. O presidente Lula, inclusive, criticou a decisão, defendeu a soberania e chegou a afirmar que o Brasil não aceitava ser “tratado como moleque”.

(Foto/Capa/Divulgação): Presidente dos EUA, Donald Trump