Mês da Mulher: Artista visual maranhense Marlene Barros está com exposição no Centro Cultural BB de Belo Horizonte  

Na semana que antecede o Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março (próximo domingo),  o Centro Cultural Banco de Brasil Horizonte (CCBB BH) está, neste mês da mulher, com a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”.

A mostra reúne 13 obras em escultura, crochê e bordado de Marlene Barros, uma das mais destacadas artistas visuais d Maranhão na atualidade.

A proposta da exposição é uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica das mulheres e a invisibilização de seus fazeres no campo da arte.

A exposição transforma o gesto íntimo do costurar em narrativa pública de resistência, pertencimento e reinvenção.

A exposição foi aberta no dia 4 de março e segue a 1º de junho, de quarta a segunda, das 10h às 22h. Os ingressos gratuitos estão disponíveis em ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH.

Com curadoria é de Betânia Pinheiro, a mostra almeja algo maior do que apresentar os trabalhos da artista Marlene Barros.

A montagem da exposição, coordenada por Fábio Nunes, com produção executiva de Júlia Martins, não segue ordem cronológica.

O percurso é livre, permitindo que o público construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória. Para Marlene Barros, o impacto da exposição ultrapassa o espaço expositivo.

“Ao recuperar técnicas têxteis como formas de expressão estética, crítica e política, a exposição contribui para a ampliação das linguagens artísticas legitimadas no espaço institucional”, afirma Marlene Barros.

A temporada da exposição no CCBB BH contempla ações formativas abertas ao público. Durante todo o período expositivo, o público é convidado a interagir com a exposição, num espaço/ateliê, para que ele também faça sua obra, seja bordando, costurando ou crochetando, de forma espontânea.

Neste sábado (7), das 15h às 17h, acontece uma visita mediada com a artista Marlene Barros e a curadora Betânia Pinheiro.

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, às 16h, a curadora Betânia Pinheiro coordena a palestra “Tecitura do Feminino: Processos”.

 

Algumas obras

Eu tenho a tua cara

Instalação composta por 49 rostos de mulheres com olhos e bocas trocados e costurados, propondo uma desconstrução da identidade e questionando a responsabilidade e a dependência na construção das individualidades, a partir da noção de alteridade.

 

Caixa Preta

Evoca o conceito de dispositivo que registra informações secretas. Caixas com fotografias, intervenções têxteis, colagens e escritas compõem uma espécie de autorretrato expandido, no qual a artista insere referências afetivas e vivências pessoais.

 

Coso porque está roto

Casaco cujo avesso revela o interior do corpo humano, com órgãos bordados que representam sentimentos. A obra dialoga com o dito popular que associa o ato de remendar à proteção contra o mal-agouro, acionando a costura como gesto de reparo simbólico.

 

Entre nós

Imersão em objetos de crochê que convida à reflexão sobre atividades historicamente atribuídas às mulheres e naturalizadas em contextos de submissão doméstica.

 

Quem pariu, que embale

Trabalho que problematiza a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres, denunciando sua transformação em dever moral.